As hérnias da parede abdominal são frequentes entre nós, humanos. Segundo a teoria da evolução, o aparecimento das hérnias é oriundo dos primórdios da vida na Terra: passada a fase em que andávamos sobre quatro apoios, ao ficar de pé passamos a “forçar” mais o abdômen, o que resultou no surgimento das hérnias. Atualmente sabemos que a causa dessas hérnias é a fraqueza e o esgarçamento dos tecidos, que permitem que os órgãos internos — na maioria das vezes, os intestinos — se projetem através desses orifícios, aparecendo como elevações debaixo da pele.
Hérnia inguinal: a virilha é o ponto mais frágil
Os pontos da parede abdominal mais suscetíveis ao surgimento das hérnias estão na região da virilha, chamada região inguinal. Isso se deve ao fato de que, nessa área, temos os orifícios naturais que permitem a saída dos testículos, nos homens, e a passagem do ligamento redondo, nas mulheres. No sexo masculino, o orifício permite ainda a passagem dos vasos que nutrem os testículos, além do canal deferente, que conduz os espermatozoides. Por essa condição anatômica, a hérnia inguinal é muito mais frequente nos homens que nas mulheres.
Hérnia umbilical: o umbigo também é um orifício natural
A cicatriz umbilical, conhecida como umbigo, também é um orifício natural. Ainda dentro do útero, ele mantinha os vasos que alimentavam o feto através do cordão umbilical, que, ao nascer, é cortado e se fecha normalmente. Quando isso não acontece, ocorre a hérnia umbilical. Também é possível que esse tipo de hérnia apareça na idade adulta, com o aumento de peso, após a gravidez ou por qualquer outra causa de aumento do volume da cavidade abdominal, além de esforços físicos em excesso.
Hérnia incisional: a fraqueza na cicatriz da cirurgia
Outra causa muito comum de hérnia é quando há uma cirurgia na parede abdominal e, no local do fechamento, surge uma fraqueza — a que chamamos de hérnia incisional, ou seja, aquela provocada pela incisão cirúrgica.
E ainda outros tipos de hérnia podem surgir na parede abdominal, como as epigástricas, as da linha lateral aos músculos retos abdominais e, mais raramente, as da parede posterior.
Como eu havia dito na semana passada, abaixo exemplifico algumas hérnias que interferem diretamente no bom funcionamento da dinâmica do abdômen, deixando para as próximas semanas como se trata cada uma delas. O fato é que uma hérnia, além de provocar dor e incômodo e às vezes exigir tratamento de urgência, não permite que o paciente execute ações que dependem da região abdominal — ou seja, quase todas as atividades do dia a dia.






