A hérnia inguinal no paciente adulto é adquirida em função da fragilidade da parede da região inguinal, enquanto a hérnia inguinal na criança é causada pela permanência do canal inguinal aberto.
É através desse canal inguinal que o testículo atravessa para a bolsa escrotal, o que permite a passagem também de alças intestinais e/ou de líquido proveniente da cavidade abdominal.
Assim, a hérnia inguinal nas crianças é considerada congênita, ocorrendo durante o crescimento do feto na gravidez. No caso dos meninos, primeiramente os testículos se desenvolvem no abdômen e em seguida descem até a bolsa escrotal por um conduto na região inguinal (canal inguinal patente), que se fecha próximo ao nascimento. Quando esse fechamento não ocorre naturalmente após a descida dos testículos, é que surge a hérnia inguinal.
No caso das meninas, mesmo com menor probabilidade, por não haver os testículos, também pode surgir a hérnia inguinal, pois elas têm o mesmo canal inguinal, através do qual percorre o ligamento redondo, que ajuda na fixação do útero.
As hérnias inguinais nos primeiros anos de vida
- São mais comuns em bebês prematuros.
- São diagnosticadas em apenas 1% a 5% das crianças que nascem no tempo normal de gestação (entre 37 e 41 semanas). Em contrapartida, a ocorrência das hérnias inguinais nos bebês prematuros é maior, equivalendo a 9% a 11% dos bebês com menos de 37 semanas ao nascer.
- As hérnias inguinais têm maior probabilidade de ocorrer em crianças com histórico familiar de hérnia inguinal.
- Essas hérnias também são mais comuns em crianças com outras doenças congênitas do sistema urinário.
- As hérnias inguinais nas crianças ocorrem mais frequentemente do lado direito, podendo ocorrer à esquerda ou em ambos os lados ao mesmo tempo.
Quais são os sintomas das hérnias inguinais nas crianças?
Como já explicado anteriormente, os recém-nascidos nascem com a hérnia inguinal, mas ela pode permanecer não visível por algumas semanas ou até meses depois do nascimento.
O aumento da pressão dentro da barriga, provocado pelo choro, por exemplo, pode fazer com que a hérnia se torne aparente como um abaulamento na região inguinal. Esse aumento pode ser observado durante o banho ou a troca de fraldas. Muitas vezes, este que é vulgarmente chamado de “caroço na virilha” pode desaparecer quando o bebê está calmo ou quando o médico gentilmente empurra o conteúdo da hérnia de volta para o abdômen, reduzindo assim a hérnia.
Em alguns casos, pode ser mais difícil devolver as alças intestinais para o abdômen. Assim, o abdome pode estar aumentado (distendido), o bebê pode chorar com frequência devido à dificuldade de eliminar gases e fezes e, nas formas mais graves, podem ocorrer vômitos e ausência de evacuações. Nesses casos, é sempre recomendado procurar o atendimento de emergência.
Quando não é hérnia: os diagnósticos que se confundem
Os sintomas de hérnia inguinal podem ser facilmente confundidos com outras doenças que atingem a região inguinal, tais como: criptorquidia (testículo fora da bolsa escrotal), hidrocele (presença de líquido na bolsa escrotal) e linfoadenomegalia (gânglios da região inguinal aumentados). Por isso, é importante a procura pelo médico cirurgião pediátrico capacitado, para que a hérnia da criança seja devidamente diagnosticada.



