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Prevenção

Os Riscos dos Fumantes nas Cirurgias de Hérnia

Estudo com 220 mil pacientes mostrou 6,34% de complicações graves em fumantes contra 4,72% nos não fumantes. Por que o cirurgião exige três meses sem cigarro.

Dr. Amin Milad Waked Dr. Amin Milad WakedCRM 384843/RJ · Cirurgia geral
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Os Riscos dos Fumantes nas Cirurgias de Hérnia

Não é de hoje que a medicina vem estudando os efeitos nocivos do tabaco no organismo humano. Sabemos que a nicotina e outros produtos tóxicos derivados da queima do fumo, quando inalados, atingem a corrente sanguínea através dos pulmões e interferem diretamente na atividade celular, levando à sua desorganização e ao consequente aparecimento do que conhecemos hoje como câncer. O que se acreditava estar ligado apenas aos tumores malignos do pulmão, hoje sabemos que favorece o aparecimento de outros, como os de pâncreas e bexiga. É importante que saibamos que, no simples fato de fumar sem tragar ou de mascar o fumo, também há absorção da nicotina e de outras substâncias, através da mucosa bucal (tecido que reveste a boca por dentro).

O que diz o estudo do Colégio Americano de Cirurgiões

Recentemente, com base no conhecimento das lesões em nível celular provocadas pelo tabaco, um estudo realizado pelo Colégio Americano de Cirurgiões comprovou um maior risco de infecção nos pacientes fumantes, após trinta dias da realização da cirurgia das hérnias.

O estudo teve como objetivo comprovar que, mesmo nas cirurgias consideradas de baixo risco, como as das hérnias abdominais, os pacientes não estão isentos dos riscos associados ao tabagismo. Os pesquisadores consideraram uma amostra de 220 mil pacientes do banco de dados do Projeto de Melhoria da Qualidade Cirúrgica do Colégio Americano de Cirurgiões (NSQIP) que foram submetidos a diferentes tipos de correção cirúrgica eletiva das hérnias entre os anos de 2011 e 2014. Os doutores responsáveis tinham como foco as complicações graves que ocorriam trinta dias após o ato cirúrgico.

Eles constataram que essas complicações ocorreram em 6,34% dos fumantes, contra 4,72% dos não fumantes. Mesmo com o ajuste das estatísticas, no qual foram considerados outros fatores que pudessem interferir nos resultados, como etnia, índice de massa corporal (IMC), histórico clínico dos pacientes e o tipo de operação de hérnia realizado, os riscos de morte, de necessidade de nova operação e/ou internação, de complicação da ferida operatória, de infecção generalizada (sepse) e de problemas cardíacos e pulmonares permaneceram altos nos fumantes, ao contrário do que se observou nos não fumantes.

Por que o cirurgião exige a parada do cigarro

O estudo comprova a preocupação de muitos cirurgiões quando são taxativos ao exigir do paciente fumante o corte do fumo pelo menos três meses antes de qualquer tipo de cirurgia, não só das hérnias. Junto à exigência, como forma de comprovação, também é dosado o índice de nicotina no sangue no pré-operatório. Nos casos em que o paciente tenha mentido, a cirurgia não é realizada.

Dr. Amin Milad Waked
Dr. Amin Milad WakedCRM 384843/RJ · Cirurgia geralCirurgião geral com mais de 40 anos de experiência, habilitado em cirurgia robótica na plataforma Da Vinci e coordenador do Centro Hérnias.Conhecer o Dr. Amin →

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