Hérnia de Hiato – As Principais Dúvidas

Pouco tenho falado a respeito das hérnias de hiato e muitas são as dúvidas dos meus pacientes: Começamos por escrever que o mais adequado é a expressão “hérnias do hiato”. Mas por quê existe essa diferença? iniciamos com a definição da palavra Hiato: originada do termo Latim “hiatus”, cujo significado é “abertura, fenda, lacuna”. E neste caso, estamos nos referindo a uma das aberturas do músculo diafragma que divide a cavidade torácica da cavidade abdominal. Este músculo é o principal responsável pela nossa respiração. Essa abertura (que chamamos de hiato) a qual nos referimos permite a passagem do esôfago, que se origina na garganta, passa para dentro do abdômen e termina no estômago. Quanto esta fenda se alarga, por motivos ainda não totalmente conhecidos, como o enfraquecimento da musculatura local, permite que os órgãos do abdômen se desloquem para dentro do tórax nos casos mais severos. Todavia, a grande maioria dos casos se faz com a parte do estômago, geralmente o que denominamos de “fundo gástrico”, ou seja a parte mais superior do órgão.

A Incidência A maior incidência da hérnia de hiato, é em mulheres após 50 anos, que tiveram várias gestações, em pessoas obesas ou em fumantes. Seus sintomas não estão ligados, na maioria das vezes, a presença da hérnia simplesmente, e sim pelo refluxo do líquido do estômago para o esôfago, denominado refluxo gastresofágico (RGE), levando a queimação (azia), eructações (arrotos) e dor crônica devido a esofagite (inflamação do esôfago) que não raras vezes, é confundida com angina.

O Diagnóstico e Tratamento O diagnóstico da hérnia de hiato, se faz normalmente por: endoscopia, raio X , tomografia do abdômen e tórax. Já para o diagnóstico do refluxo gastresofágico(RGE), existem exames ainda mais específicos.

O tratamento da hérnia de hiato, em sua grande maioria, não se faz necessário a cirurgia mas sim, a incorporação de algumas medidas clínicas como as descritas abaixo: – Não se alimentar próximo ao horário de dormir (deitar). – Não beber muito líquido durante as refeições. – Não ingerir bebidas alcoólicas em excesso ou fumar. – Evitar alimentos muito gordurosos ou condimentados, frituras ou outros de difícil digestão. – Inclinar a cabeceira, com cálcios de 10 cm de altura colocados nos pés da cama. (Usar travesseiro mais alto também ajuda). – O uso de medicamentos só deve ser feito quando prescrito pelo médico. Somente em caso da não resolução através do tratamento clínico, o que compromete de forma substancial a qualidade de vida do paciente, é indicado a cirurgia após a comprovação de exames específicos.

O procedimento cirúrgico em sua quase totalidade, é realizado por vídeo laparoscopia, e mais recentemente através da cirurgia robótica. Normalmente, são técnicas menos invasivas, realizadas através de pequenos orifícios no abdômen, o que oferece ao paciente, uma significativa redução da dor ou desconforto no pós-operatório, além da grande redução do período de internação hospitalar que não passa de 24 horas na grande maioria dos casos. A cirurgia robótica, por sua vez apresenta inúmeras vantagens, como a maior precisão à correção das hérnias, feita pelo robô através das mãos do cirurgião, evitando qualquer tremido humano.

Saiba mais sobre os benefícios da cirurgia robótica no meu último post: Avanços na Cirurgia de Hérnias – Junho 2018 

Abaixo, a ilustração da região em que ocorre a hérnia do hiato esofageano.

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