Hérnias em Pacientes Obesos

A parede abdominal é de suma importância para o equilíbrio do corpo. Sua integridade anatômica se contrapõem às forças decorrentes da musculatura das costas, mantendo o seu centro de gravidade de forma equilibrada. Como exemplo, tomamos a postura de uma mulher grávida, que se inclina para trás, em seus últimos meses de gestação, com o intuito de manter-se ereta. Em casos do aparecimento de hérnias abdominais, estas, desestabilizam sua principal função, além de interferir diretamente em funções cotidianas mais simples, como defecar e urinar. Algumas grandes hérnias abdominais surgem após a realização de grandes cirurgias sobre o abdômen, as chamadas hérnias incisionais.

Quando há um aumento substancial de peso do paciente, o aparecimento das hérnias pode passar despercebido tanto pelo próprio ou até mesmo pelo médico em função da dificuldade ao realizar o exame físico, somente sendo esclarecido nos exames de imagem. As volumosas hérnias em paciente obeso, muita das vezes não devem ser operadas antes que o mesmo perca peso, ou seja, submetido a cirurgia bariátrica. Após este procedimento, é muito comum a visualização de grandes hérnias que outrora encontravam-se ocultas.

Dependendo do volume, em casos raros, há um sério comprometimento estético, e com o passar dos anos,  as vísceras abdominais se transferem para dentro do saco herniário,  perdendo seu domicílio, de modos que durante a cirurgia, não conseguimos retornar com as mesmas para a cavidade abdominal. Para isso,  usamos algumas técnicas no pré-operatório, como o pneumoperitôneo,  que nada mais é,  que injetarmos ar ambiente dentro do abdômen diária e progressivamente, acompanhado de fisioterapia respiratória intensa,  normalmente levando em torno de três semanas, dependendo de cada paciente. Essa técnica tem como objetivo ”empurrar” para cima o músculo diafragmático que divide as cavidades torácica e abdominal. Este procedimento permite que, juntamente com os exercícios respiratórios diários, o paciente possa expandir os pulmões, “empurrando” o diafragma para baixo, fazendo com que o paciente já se habitue com o grande volume de vísceras que serão devolvidas ao seu abdômen no ato cirúrgico, entregando ao paciente uma respiração sem maior esforço após a correção da hérnia.

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